MARIANA BARROS

Artista visual, fotógrafa, poeta e curadora de rituais

Mariana Barros é curadora de rituais e artista transdisciplinar. Formada em Artes Plásticas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com extensão em pintura pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage, desenvolve sua pesquisa entre fotografia, foto-performance, pintura, poesia, instalação e ritualidade, fazendo da própria existência matéria de criação.

Sua investigação atravessa as relações entre corpo, memória ancestral, natureza e espiritualidade. Experiências com plantas de poder — Ayahuasca, Jurema e Peyote — alimentam sua criação, em diálogo com estados expandidos de consciência, cosmologias ancestrais e uma espiritualidade selvagem. O corpo é terreiro, memória e inscrição ancestral. A arte é oferenda, é consagração.

Ritualidades é o eixo de sua pesquisa: a arte de ritualizar a existência. Em suas instalações efêmeras, fotografias e ações performáticas, flores, conchas, lama, águas, pigmentos, resíduos e objetos de devoção compõem uma linguagem em que a matéria se torna memória, presença e expressão do sagrado.

Sua obra investiga a soberania dos corpos femininos, as violências simbólicas e as relações de poder que atravessam a construção do sagrado. Em Puta Luz, Devoção Nua e Arte na Morte, a insubordinação, a nudez e a finitude assumem dimensões poéticas e políticas. O corpo afirma sua dimensão sagrada; a natureza participa dos ritos de transformação; a morte integra o movimento vital de criação, dissolução e renascimento.

Entre fotografia, performance e ritual, Mariana constrói uma linguagem em que a imagem testemunha as travessias da existência e a presença se torna reza encarnada. A ancestralidade inscreve-se na pele. O tempo se dobra, retorna, renasce.

Transformar a dor em beleza é o princípio vital de sua poética.